[e o que nos leva a gostar deles]
Eu, fã assumida de música e de festivais, enquanto me arrastava para casa depois do terceiro dia de Alive, pensava porque raio gostamos tanto de uma coisa que até é, de certa forma, desagradável. E cheguei a algumas conclusões:
1. O bilhete é caro e obriga-nos a comprar o passe para os dias todos enquanto rogamos pragas aos chulos da promotora.
Mas interiormente queremos mesmo ir aos dias todos, mesmo que não compensasse, porque nos divertimos muito mais em ir todos os dias e a ver uma carrada de concertos.
2. Há pó por todo o lado, é preciso andar quilómetros para chegar a algum lado e não há sítios para sentar.
Mas dá aquela sensação de Verão, de férias, de adolescência, de amigos e de descontracção, tanto que passamos o dia sentados no chão e não nos importamos nada.
3. Temos de fazer piscinas entre os vários palcos para vermos o que queremos.
Mas variamos entre vários estilos e não vemos só o mainstream.
4. Só há cerveja, é cara e não tem gás.
Mas conseguimos bebê-la aos litros e com a maior vontade do mundo.
5. É preciso esperar imenso tempo para ouvir a banda que queremos mesmo.
Mas entretanto descobrimos coisas novas que gostámos.
6. As casas de banho são nojentas.
Mas com toda a cerveja cara e sem gás que já bebemos nem notamos.
7. A comida é de plástico e estupidamente cara.
Mas comer um cachorro do psicológico às 3 da manhã sabe pela vida.
8. A fila do multibanco é interminável.
Mas compramos sempre alguma coisa gira nas lojinhas de artesanato.
9. Há milhares de pessoas que nos dão encontrões e criam filas em todo o lado.
Mas encontramos sempre aquele amigo que não vemos há mil anos ou fazemos amizade com os tipos que estão ao nosso lado no concerto porque está tudo na mesma onda.
10. Demoramos horas a sair do recinto e a chegar até ao carro.
Mas encaramos essa travessia como uma espécie de medalha de honra e, no percurso, relembramos os melhores concertos, os momentos mais palermas da noite e dizemos palhaçadas.
Conclusão? Venham mais, muitos mais, sempre. [impressões sobre os outros dois dias de Alive amanhã, que hoje faz-se tarde]