domingo, 31 de Maio de 2009

Há pessoas que conheço tão bem, ou que são tão parecidas comigo, que consigo adivinhar o que se passou no dia anterior só de olhar para elas.
Começou vagaroso, sexta à noite, depois de muito trânsito, com snooker e um filme. Sábado acordei como as crianças pequenas, a querer levantar-me para ir para a praia, o mais rápido possível, para não perder um grão de areia nem um raio de sol, queria a praia inteira para mim. Paragem para pequeno-almoço, para revistas (que depois tiveram o milagre da multiplicação conforme os amigos foram chegando), para água, e finalmente pés na areia rugosa do Meco, a destilar de calor e a ganhar coragem para ir ao mar. Os amigos foram chegando e, ao final do dia, já com o martini na mão à beira da piscina, eramos dez... seguimos para uma jantarada de caracóis, gambas e ameijoas, onde comi ainda uma sardinha, tudo bem regado de sangria. Passamos ao snooker, meto a preta no segundo jogo, ganhamos, música óptima no local mais inesperado e várias horas de conversa no terraço de uma discoteca duvidosa, a relembrar passados e situações, a carpir casos que nunca passam e mágoas que ficam sempre. O regresso a Lisboa, hoje, foi rápido mas sem vontade. Não gosto da sensação de que o fim de semana está a acabar.
Os sonhos são como a tradução para uma língua de coisas intraduzíveis de outra; ou como a transposição para linguagem - forçosamente confusa ou complicada - de sentimentos vagos ou complexos, que a redacção normal não pode comportar.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

e tudo muda

é impressionante a facilidade como o que temos como garantido muda. Tinha garantida a minha segurança, em minha casa, o meu lugar feliz. Até ontem. Ontem cheguei a casa ao final do dia, entrei no prédio, fechei a porta, puxei o elevador. E, sem aviso, fui assaltada. O miudo estava mais nervoso que eu, mas tinha uma faca, e gente nervosa ao pé de mim com facas não me deixa confiante. Consegui convencê-lo a não me levar o telemóvel (dei graças a Deus por ser anti-gadgets e ter um telemóvel da velha guarda) e escondi a tempo o iPod. ele foi-se embora com 25 euros e com o meu conceito de segurança.

terça-feira, 26 de Maio de 2009

Estou no concerto de Andrew Bird e encontro o Karl Blau, que tinha visto em palco no dia anterior.

Impressões sobre o concerto quando tiver mais tempo!

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Três concertos únicos e completamente diferentes, no mesmo espaço, na mesma noite. O palco foi no teatro da Luz, os artistas foram Karl Blau, Angelo Spencer e Kimya Dawson.
Começou logo com Karl Blau, sozinho com a guitarra, sem microfone ou amplificador, a aproveitar a acústica excelente do velho teatro para dar um excelente espectáculo de folk alternativo. Interagindo com o público, sempre, servindo-se das vozes da audiência para fazer os ritmos e alucinando completamente em improvisos, o som alternativo dos EUA encheu a sala.
Breve intervalo para Angelo Spencer. Guitarra e bateria, descalço, loiro, deu um espectáculo completamente diferente, cheio de ritmo e novas tendências, mas não deixou de se acompanhar de Karl Blau na bateria para mostrar um projecto instrumental de ambos (ainda sem editora, disse-nos o próprio Karl no intervalo seguinte, quando nos cruzámos com ele na banca do merchandising).
Seguiu-se o que a maior parte do público tinha ido ver: Kimya Dawson, cantautora no verdadeiro sentido da palavra, responsável pela banda sonora de Juno, de casaco de ginastica azul sentou-se com a guitarra e foi intervindo com a voz tímida. Levou o público às gargalhadas com as letras das músicas, riu-se connosco, levantou-se para dançar com karl Blau, cantou canções de embalar e outras de arrepiar.
Não sei qual dos concertos gostei mais mas, tendo em conta os três concertos, este foi um dos espectáculos mais originais e intimistas a que assisti.
hoje é dia de Andrew Bird.

domingo, 24 de Maio de 2009

porque é que passo o domingo à tarde em casa?

porque sexta-feira fiquei arrumada com o Bairro e o Incógnito e sábado não foi melhor: compras no Chiado, jantar no casino e Lux. Hoje foi dia santo. Daqui a bocado o concerto e Kymia Dawson vai ser o final perfeito para este fim de semana.

sexta-feira, 22 de Maio de 2009

e sem aviso

dão-me flores.

E eu gosto, mesmo que tente mostrar que i'm not that kind of girl. Porque, no fundo, todos temos um lado that kind of girl, que gosta de receber flores e visitas surpresa.

Estranha manifestação de amor [treze]

Direitos Reservados

Ninguém está destinado a outra pessoa. Não só porque não existe um destino, nem ninguém capaz de manipular as vidas a esse nível. Não: acima de tudo porque entre as pessoas não existe nenhuma obrigatoriedade que possa transcender as necessidades casuais e o poder dominador do hábito. (...) Eu estava aqui por mero acaso, tu passaste por ali, por acaso, entre nós os copos de champanhe. Foi assim que as coisas aconteceram. Simplesmente assim, e de nenhuma outra maneira.

Pascal Mercier, Comboio Nocturno para Lisboa

na cabeceira

Livro do desassossego.

Para abrir ao calhas sempre que me apetece.

domingo, 17 de Maio de 2009

Feira do Livro

Cumpre-se, mais uma vez, o calendário emocional. Anda-se durante horas entre rios de gente e barraquinhas repletas de livros. Quero todos. Trago para casa apenas três: O Livro do Desassossego, As vinhas da Ira e O alienista e alguns contos (a conselho).

novidades musicais em modo telegrama

Gosto do álbum And the Mistery of the Golden Medallion, de Fight Like Apes.
O novo The Bachelor, de Patrick Wolf, não me desiludiu. O senhor continua a saber usar o violino.
The Gaslight Anthem, em The '59 Sound, é parecido com The Killers e  gosto.
The City That Sleeps, de A Silent Film, tem duas músicas engraçadas mas o resto é médio.
Hadouken! e o seu Music for Accelerated Culture não foi paixão à primeira vista, mas acho que depois de umas quantas vezes vou gostar.
O novo single de Placebo, For What is't Worth, não me convenceu. Mas gostei de Battle for the Sun.

Foram as novidades do fim de semana. stop.

terça-feira, 12 de Maio de 2009

o envelope dos concertos

tem andado vazio, mas agora começa a compor-se... e muitos outros estão previstos!

já no envelope:
Kimya Dawson, Teatro da Luz, 24 de Maio [lembram-se da banda sonora do Juno? é esta senhora]
Green Day, Pavilhão Atlântico, 28 de Setembro

a ir, mas ainda não comprados:
Buraka Som Sistema + Macacos do Chinês, Underground, 22 de Maio
Deerhunter, Lux, 1 de Junho
Boys Noize, Lux, 11 Junho
Yann Tiersen, CCB, 7 de Julho
Alive, Oeiras, 9 a 11 de Julho
Festival Músicas do Mundo, Sines, 24 a 26 de Julho
Sudoeste, Zambujeira do Mar, 5 a 9 de Agosto
Festa do Avante, Herdade do Seixal, 4 a 6 de Setembro 
Xutos e Pontapés, Restelo, 26 de Setembro


Em estudo:
Nneka, Casino Lisboa, 15 de Maio
Rita Redshoes, S. Jorge, 28 de Maio
Theo Parish, Lux, 29 Maio
Ojos de Brujo, Ericeira, 26 de Junho
Katie Melua, Cascais, 25 de Julho
Paredes de Coura [para o Patrick Wolf], Paredes de Coura, 24 de Julho a 1 de Agosto
Depeche Mode, Pavilhão Atlântico, 17 de Novembro

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

bom ou mau

já está, e sai um peso de cima. Decidido, nada a fazer, nem sequer se pode argumentar contra. É assim que querem? É assim que se faz. Não mais vou deixar que isto se sobreponha a tudo o resto, não mais vou sofrer por coisas que me ultrapassam, não mais vou fazer disto mais do que é.
Bom ou mau, já está. Agora quero mais rua, mais pessoas, mais noites de bairro alto, mais tóquio, mais vida. Agora quero mais de mim lá fora, de mim sem ser só isto, de conversas sobre outros temas, outros interesses, aprender coisas novas. Não mais estas regras vão ditar a minha vida.

11

Já lá vão 21 e eu nem dei por eles.

domingo, 10 de Maio de 2009

A Ler Devagar do LX Factory

Merece uma visita.
Vamos melhorando com o tempo e, ao olhar para quem está ao nosso lado, queremos superar-nos. Aumentar sempre a fasquia para manter o nível que achamos que a outra pessoa merece. Porque sim. E isso torna tudo mais intenso.

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

às vezes o mundo é injusto de propósito.

e isso não é justo.

domingo, 3 de Maio de 2009

feriado

Há quase dez anos que não ia à Gulbenkian. No feriado, a caminho da feira do livro, parei lá por impulso. Andei pelos caminhos dos jardins, a tirar fotografias e a lembrar-me da quantidade de vezes que ia lá, às vezes faltávamos às aulas para nos sentarmos a conversar na relva ao pé do lago, namorava quase todos os dias da semana nos bancos de jardim e, em criança, ia à sala de brinquedos, cheia de legos e de playmobiles.
Há dez anos era tudo diferente. Comecei e acabei namoros ali, tive conversas sérias, lágrimas, tardes de parvoíce e até uma visita de estudo, uma vez [lembro-me que estava no nono ano, íamos ver os monumentos megalíticos mas o autocarro teve um furo... e acabámos todos a correr pelos jardins do parque]. Ainda parei à porta do centro de exposições mas desisti. Queria lembrar-me de tudo, dos momentos mais importantes ali passados. Deitei-me na relva, phones nos ouvidos e fiquei a ler e a olhar para as pessoas, para os grupos adolescentes, que tinham a idade que eu tinha quando ia lá.
A nostalgia deu-me fome. Voltei para o carro e fui ao Chiado à procura do bolo de chocolate da pastelaria vienense. Fechado... contentei-me com tarde de maçã numa poltrona na casa de chá da Colcci.