A despedida de solteira de uma das minhas melhores amigas não meteu strippers mas teve direito a horas de piscina, conversa sem parar (temos a capacidade de falar durante horas e do assunto nunca acabar), muitas horas a dançar, copos atrás de copos, coreografias, carradas de fotos e até de peixeirada no aeroporto.
Fez-me pensar em como estamos crescidas, em como os temas de conversa mudaram ao longo dos anos. A M., companheira inseparável de saídas para a Kapital à quinta-feira (mesmo em véspera de exames) e ao sábado, de cenoura do rio só porque bebíamos sem pagar e de muitas férias passadas em tendas a descer o alentejo até ao algarve, a M., que visitei em Salamanca durante nosso Erasmus, com quem partilhei tardes de estudo, horas de conversa ao telefone, lágrimas e risos, dias de praia e olhares que dizem tudo. A M., que vejo com orgulho na televisão, que encontro em trabalho no Parlamento, que conta confiante os preparativos para o casamento e que se ri sempre que relembramos a noite em que arrastei o noivo dela para casa, de tão bêbado que ele estava. A M. é a primeira e, por ter partilhado tanto com ela, faz-me sentir crescida. Mas contente por ter com quem passar esta evolução e poder olhar para trás e recordar momentos tão bons.
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