terça-feira, 30 de Setembro de 2008

depois da primeira aula de yoga

onde estalei tudo o que era articulação e estiquei músculos que não sabia que tinha, sinto-me bem, mas sei que amanhã não me vou conseguir mexer.

O professor topou as minhas manhas de ginasta, como fazer força nos cotovelos para que não doam os músculos, e não me deu abébias. E chamou-me escangalhada.
Direitos Reservados

Sonhei que estava a ver um concerto de Dave Matthews Band num Central Park coberto de neve. A música era So Much to Say e o frio não incomodava. Nada. Sonho estranho, porque nunca estive em Nova Iorque.

I find sometimes it's easy to be myself
Sometimes I find it's better to be somebody else

not my idea of fun

é meia noite e estou a trabalhar em casa.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Gomorra

Direitos Reservados

Italiano, lento mas pesado e ligeiramente pretensioso, como só o cinema europeu sabe ser, Gomorra conta várias histórias que se cruzam e que nasceram na máfia napolitana, a Camorra. Crianças que querem ser mafiosos e comprometem tudo para serem aceites no meio. Adolescentes que brincar aos assaltos com armas verdadeiras e que depois são apanhados pela dureza da realidade. Um correio de dinheiro medroso e resignado. Uma dupla que dá tuta e meia por terrenos para aterros de resíduos tóxicos. E os mafiosos que vão ditando as regras da vida urbana de Nápoles, nos bairros mais difíceis. Uma espécie de Sodoma e Gomorra, como o nome do filme (vencedor do grande prémio em Cannes) indica.

O filme de Matteo Garrone não é fácil de ver. Planos muito próximos, imagem ligeiramente suja, ao estilo dos anos 70, muita câmara de mão que acompanha (demasiado) o movimento das personagens. Ao longo do filme a imagem vai estabilizando, mas o início é caótico e desordenado. As personagens não nos são apresentadas, são-nos atiradas e temos de descortinar o papel de cada um na trama e descobrir se gostamos delas, mesmo com erros e defeitos, ou não. Se temos pena. Se compreendemos. Se aceitamos ou se perdoamos. As personagens desenham-se, mas com uma profundidade relativa que não nos permite apaixonar-nos por elas. No final todos têm, no fundo, o que merecem, ou o que as circunstâncias permitem. Entre tiros e banhos de sangue, a Camorra ganha sempre. 

Apesar de um pouco longo, não deixa de ser interessante como perspectiva da máfia vista "por dentro". Fez-me lembrar o L'haine em alguns momentos (mas não tão bom). A ver um filme destes dá-se sempre o desconto de saber que vamos sair da sala impressionados, desconfortáveis ou desiludidos. Nunca satisfeitos. Saí impressionada. Não esperava melhor do que aquilo que vi. E gosto sempre de ver filmes no Saldanha Residence (ou no Monumental), onde o ambiente é suis generis e se sente o metro passar debaixo dos pés.

Ah... e a banda sonora é Massive Attack.

Quando a preguiça fala mais alto

fica-se a ver filmes em casa em vez de se ir ver Peixe:Avião ao Musicbox.

sábado, 27 de Setembro de 2008

V

Remember, remember the 5th of november, the gun powder, treason and plot.
I know of no reason why the gun powder treason should ever be forgot.

revi o V for Vendetta, um dos meus filmes de eleição dos últimos tempos. Gosto da figura do V e da intensidade com que defende aquilo em que acredita e como leva até ao fim a sua vingança pessoal. Os fins justificam os meios. 
Impossível chegar a acordo (com quem viu comigo) sobre se o filme é melhor que a BD. Eu prefiro o filme. Gosto do humor negro e cínico que caracteriza as personagens. O comic é mais sombrio. E o tipo de desenho não me atrai especialmente.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Omnipresente

Estou muito bem alegremente a trabalhar quando um dos infográficos (para quem não sabe, são aqueles senhores que fazem no computador os bonecos giros que se vêem no jornal) vem à minha secção e começa blá blá blá assinar petição, blá blá blá queremos continuar a fazer desporto e não nos deixam por causa dos assaltos, blá blá blá porque eu pratico 

Airsoft.

Pára tudo. Levanto a cabeça do molho de papéis à minha frente, tiro os phones e peço para ele repetir.

Airsoft.

Tinha ouvido mesmo bem. Pensei... oh pa caraças mas será que dá??? Nem aqui??? Não estou segura em lado nenhum??? 

Senhor Autopilot, não basta ter aturado a paranóia dos tirinhos sei lá eu quanto tempo, agora também mandas dos teus soldadinhos de brincar para o meu jornal????

tá mal, tá mal.

Death Magnetic

Sempre que oiço um álbum de Metallica sinto-me outra vez com treze anos. E este faz lembrar os tempos do Master of Puppets.
Disarm you with a smile. (Smashing Pumpkins)

comics

Sei que o Allen Moore escreveu o Watchmen e tenho-o em casa para ler, li o V for Vendetta e o 300, reconheço facilmente o desenho de Frank Miller e quais os principais livros que ele escreveu, devorei todos os Sin City e gostei mais que do filme, sei que o Sandman do Neil Gaiman tem dez volumes e consigo distingui-lo, olhando apenas para o desenho, dos dois anteriores, passo muito tempo a olhar para as prateleiras das novidades de BD da Fnac, mantenho conversas por mail com o senhor da loja de banda desenhada e interessa-me mesmo o que ele diz, no meio disto tudo devoro Calvin vezes sem conta, divirto-me com Peanuts e delicio-me com a Mafalda, que já reli dezenas de vezes, até dou uma olhadela à Maitena e sei o que são os Scrotinhos, lembro-me do humor inteligente de Grou quando ninguém sabe sequer o que é, se calhar isto já é um bocado demais...
Eu sonhava ser como o Gabriel Garcia Marquez. Escrever assim. Tirar da cabeça o imaginário fantástico e cheio de cor e cheiros, passá-lo calmamente para papel, sem dificuldade, escrever o romance perfeito sem esforço, num laivo de inspiração superior que depois me desse um Nobel. Eu sonhava ser o novo grande nome, the next big thing, menos difícil mas com tanta qualidade como Saramago, seria talvez uma espécie de Miguel Esteves Cardoso menos lamechas, não seria nunca literatura light, eu pensava ser como os grandes nomes da Literatura moderna, escrever romances em 22 dias como o Jack Kerouac, conseguir criar obras que marcassem como o Orwell ou o Steinbeck, assumir-me como nova tendência como o Brett Easton Ellis ou o Irvine Welsh, e tantos, tantos que ficam por dizer, queria retirar um pouco de cada um, ser um pouco de cada um. Eu queria ser jornalista-escritora e depois tornar-me escritora-jornalista. Eu sonhava em ter um escritório com uma grande janela com luz natural e um computador branco em cima da mesa, gostava de escrever o meu primeiro romance numa máquina de escrever a sério, agora que já me ofereceram a máquina só me faltam as ideias, todos os meus rascunhos, e histórias, e contos e poemas estão espalhados por cadernos e folhas a vulso e fechados em várias gavetas, recuso-me a abri-las para não me desiludir com o que escrevi, infantilmente, há cinco ou dez anos atrás, até há apenas um, não releio, não mostro, não partilho com medo das críticas. Agora a minha profissão é escrever eu quero um dia conseguir escrever um livro [e não apenas um capítulo de um], criar uma história, tornar-me personagem, quero sentar-me à secretária e produzir aquilo que me vai tornar grande, mas não tenho coragem, ainda não tive, ainda não quis começar, digo que é cedo, que sou imatura, que vivi pouco, acho que tenho demasiado medo do fracasso, ou de perceber que, afinal, até posso ser boa jornalista mas que como escritora sou apenas mediana.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Dia de fecho sem inspiração não é fácil. O que vale é que há bolos e música esquerdalha.

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Setembro

tem demasiado que se lhe diga.

Vontade [nove]

almoço sexo e a cidade (mas éramos cinco) onde se discutiu as coisas que se aceitam quando se aprende a relativizar, pensamentos como "onde é que eu tinha a cabeça?", a dificuldade em ver certas pessoas novamente e as vantagens ou desvantagens de viver no Porto. Conclusão: cada um vive com os seus fantasmas como pode. E ao menos desta vez não pusemos uma criança de cinco anos a gritar desenfreadamente por cerveja.


Outono?

Acabou o Verão. Não há nada a fazer. A não ser entrar em modo andorinha e pirar-me rapidamente para onde há sol.

O frio deixa-me rabugenta e com TPM constante. Considerem-se avisados.


segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Preciso de um subsídio cultural. Ou que ocorra o milagre da multiplicação das patacas.

São demasiados concertos até ao final do ano. Depois de Madonna tinha o envelope dos concertos vazio, mas já o repus com bilhetes para Gogol Bordello, a 10 de Dezembro, no Campo Pequeno.

Entretanto, ficam alguns a ponderar e a poupar para comprar:
Roisín Murphy @ Coliseu, 30 de Outubro
Nouvelle Vague @ Campo Pequeno e
Fat Freddy's Drop @ Carcavelos, os dois a 7 de Novembro (Nouvelle vem com quatro vocalistas e FFd nunca vi...)
Sigur Ros @ Campo Pequeno, 11 de Novembro
Boyz Noize @ Lux, 13 de Novembro
2 many dj's @ Lux, 20 de Novembro

Começo a fazer contas a tudo o que já vi este ano...
Kusturica, The Cure, Rita RedShoes, Shout Out Louds, Editors, José Gonzalez, The National, David Fonseca, RiR (Amy Winehouse, Lenny Kravitz, Joss Stone, Metallica, Orishas, Kayser Chiefs, Muse, The Offsping, Linkin Park), Bob sinclair, Festival Musicas do Mundo (the Last Poets e Enzo Avitabile & Bottari), Alive (Bob Dylan, John Butler Trio e só liguei a este, até porque perdi o melhor dia), Sudoeste (Chemical Brothers, Brandi Carlyle, David Fonseca, Pontos Negros, Vicious Five, Cut Copy, Nithin Swaney, Franz Ferdinand e mais alguns como música de fundo), Avante (da Weasel, Fanfarra Algazarra e Xutos), Pedro Abrunhosa, Madonna.

talvez tenha exagerado um bocadinho...

domingo, 21 de Setembro de 2008

nota mental

uma garrafa de vinho para dois seguido de vodka não dá bom resultado...

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

depois da música, o cinema

o Verão é tempo de vacas gordas para festivais de música e de vacas magras para festivais de cinema. Em Setembro inverte-se a situação e, de cinema, são uns a seguir aos outros. O Motelx (cinema de terror) e o 4º Festival Internacional de Cinema Israelita (!) já foram, mas ainda há uns quantos nos próximos dias. A conferir:

Queer Lisboa - ou o novo nome para o Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa. De 19 a 27 de Setembro, tem recebido, de ano para ano, cada vez mais público, e diz a Time Out que está na moda.

Lisbon Village - de cinema digital, começa a 29 de Setembro e acaba a 4 de Outubro, nos cinemas de Alvalade e do Campo Pequeno.

Festa do Cinema Francês - como o próprio nome indica... cinema francês. Já vi coisas muito boas e muito más neste festival. Começa a 2 de Outubro, no Instituto Franco-Português e também no S. Jorge. Acaba a 2 de Novembro e vai correndo o país.

DocLisboa - 16 a 26 de Outubro, na Culturgest, S. Jorge e Londres. Documentário, como o nome indica. E sempre com boas surpresas, nunca me desiludiu.

Para além dos festivais do costume, há vários ciclos. Desde cinema chinês ao ciclo dos 50 anos da cinemateca, é para todos os gostos. A confirmar aqui

segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Madonna, a rainha

direitos reservados


Cheguei ao parque da Bela Vista sem grandes expectativas, cansada das filas, da confusão e do hype que se gerou em torno da visita da Rainha da Pop. Depois de um concerto de duas horas (com uma primeira parte, da Robyn, que me surpreendeu pela positiva) saí satisfeita, mas não fascinada.
Madonna faz jus ao nome de entertainer. Há de tudo naquele palco: carros, músicos ciganos, sapateado, sevilhanas, dança de cabaret, dj's e onda rockeira. Madonna divide o especáculo em quatro partes, cada uma delas muito diferente da anterior, das roupas ao estilo de música. Um dos maiores espectáculos que já vi, em termos de efeitos visuais, de coreografia e de guarda-roupa, Madonna desilude apenas na voz. É verdade que não é grande cantora, mas acaba por compensar nas coreografias e até na guitarra (!) os momentos em que a voz lhe falha.
Os três momentos altos da noite - La isla Bonita, com direito a fanfarra cigana, Like a prayer numa versão remixada interessante e Hung up com toques de rock - foram dos poucos em que vibrei verdadeiramente. Durante o resto do tempo estive de boca aberta a ver o espectáculo, mas sem me envolver verdadeiramente com a música. Madonna vale a pena, sim. Brilhante, sem falhas, cheio de brilho. Mas sem a intensidade que já senti noutros concertos. Só faltou isso.

domingo, 14 de Setembro de 2008

Já meio entornados depois de mais um jantar católico, a conversa foi parar ao ser ou não ser a "mulher da vida". O M. defendia a pés juntos que a sua mais que tudo era a mulher da vida dele O P entrou numa de Vinicius Moraes e disse, "ela é a mulher da minha vida agora". Foi quando o M. se acusou de ser romântico incurável. Mas não se acusou sozinho!!!!

Eu enquadro-me mais na percepção do P. Também eu sou um bocadinho Vinicius de Moraes. E volta-se ao velho assunto sobre se dura ou não para sempre. Eu mantenho a minha convicção de que nada dura para sempre, ou que o amor dura para sempre até acabar (como disse o P e muito bem). Dizem-me que é para durar e eu acredito. E sei em que ponto estou. Isso basta. Isso e as projecções que vão sendo feitas, sempre a horas tardias.




Concerto da Madonna hoje. De gripe, cansada, a aturar filas para trocar bilhetes e fãs histéricos que já lá estão a dormir há duas noites.

É bom que valha a pena e que ela cante os velhos êxitos. Porque o novo CD [tirando a música com o Justin, que infelizmente não vem no pacote] é francamente mau.

sábado, 13 de Setembro de 2008

vontade [oito]

Comer framboesas em Munique debaixo de um sol escaldante.

sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

como ontem foi dia de fecho e não houve tempo...

2+10+1, ou 1 e 1

Estranha Manifestação de amor [oito]

Direitos Reservados


E, entre o fogo, atravessando as chamas, vi o rosto daquela que desaparecera dentro de mim. O seu corpo. O seu vestido leve a moldar-lhe cada forma do corpo. De encontro às chamas, os seus cabelos longos e lisos. O seu rosto: os olhos, os lábios. Olhou para mim. Eu vi os seus olhos parados em mim. Estava diante de mim. Nunca a distância que nos separara havia sido tão curta. Eu não tinha braços para lhe estender. Eu só tinha os meus olhos para a abraçar. Os nossos olhos eram atravessados pelo corpo fino das chamas que se levantavam no quarto. Ela disse a tua vida foi muito importante. Eu amava-a ainda. Ela disse deste a tua vida para entender que o amor é impossível. O amor é o sangue do sol dentro do sol. Algo dentro de qualquer coisa profunda. Ela disse desta a tua vida para entender que o amor é a solidão. Ela disse estavas certo desde o início, o amor é tudo o que existe.




"Uma Casa na Escuridão", José Luís Peixoto

quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Acabei por não fazer o meu resumo do fim de semana em Vila Nova de Milfontes. Mas pelos vistos não foi preciso... já que alguém o fez por mim de forma bem mais cómica. A ler na casa do autopilot, que além de jogar airsoft e fazer desenhos (e giros), até escreve uns resumos com piada.

Acrescentava as músicas que inventámos, versões de Pixies em homenagem à alta sociedade das patas de veado e as várias fotografias Rebelde Way que tirámos.

Apenas um reparo para o senhor dono do post: desdenhas da minha Lomo mas qualquer dia andas com uma também, já estou mesmo a ver!!!

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

elogio original

Tu és o euromilhões das gajas, disse o M. a meio do Avante.

Hum... então está bem, obrigada.

o Verão está a chegar ao fim

Parti os meus óculos da praia [esses mesmo] no último fim de semana de Agosto...

o tempo passa

Uma as minhas melhores amigas [somos parecidas de tal forma que muita gente acha que somos irmãs] vai-se casar. Pedido feito de joelhos e com anel de noivado. Fala-se na quinta, em datas e em vestidos. Pensa-se na despedida de solteira. É a primeira de um grupo de nove. Faz sete anos que nos conhecemos. E eu não consigo deixar de pensar que, devagarinho, vamos deixando para trás a inconsciência, a inconstância, o egoísmo. Vão-se as noites de copos, de dançar até ser de manhã, as conversas de amores e desamores até às tantas da manhã, noites de estudo e ir de directa para frequências, descer a costa alentejana a acampar, perdidas de riso e de parvoíce. Divertimo-nos, ainda assim, mas o registo agora é outro. Estamos crescidas. 

segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

No Avante

Repetição do Avante [com a devida autorização do Comité]

Repetiu-se o Avante, desta vez sem a primeira noite, mas com medalha de ouro incluída. Carvelhesas foram poucas, concertos também, da Wasel quebrou-me a tensão, mas ainda andei às cavalitas até ao lago, o Avante é um marco, representou uma passagem, voltei este ano debaixo das piadas de todos, não me importo com a repetição, momentos surreais, do funaná a bissexuais, ainda me devem duas cervejas, mesmo com metro e meio consegui bater com a cabeça no tecto e levei uma cotovelada em cheio no nariz, pode ser considerado violência doméstica, à noite tive frio, o Avante é carvalhesas, é festa, é copos, mas para mim é muito mais que isso.

sábado, 6 de Setembro de 2008

Na Polónia

comboio polaco*

Avião, autocarro, comboio, metro e avião [ou três hotéis diferentes em três dias]. 

Cheguei a Varsóvia cheia de sono por um voo demasiado matutino. Check in apressado para ainda termos tempo de aproveitar um pouco da cidade, já que só estávamos aí um dia. 85% de Varsóvia foi destruído na guerra. O centro histórico foi totalmente reconstruído e é agora património da Unesco. Bonito, sim, mas sem me surpreender grandemente. E as ruas da parte velha desertas, demasiado desertas. Prédios encarniçados e ruas empedradas estreita, até nos aproximarmos mais da parte nova da cidade, onde já se verifica a típica animação da hora de ponta das cidades cosmopolitas. Porque Varsóvia é cada vez mais uma cidade de misturas, onde se ouvem todas as línguas. Ainda tivemos tempo de nos cruzarmos com a comitiva presidencial do Cavaco e de ver os polaco de olhos esbugalhados a tentar descobrir quem era aquele senhor alto e grisalho. O regresso ao quarto foi rápido, era preciso escrever, mandar texto, fazer telefonemas e preparar para o jantar. Regresso rápido ao quarto, que o cansaço não se aguentava e no dia seguinte partíamos para Poznan.

Poznan fica a três horas de comboio de Varsóvia e é uma cidade universitária, com cerca de 600 mil habitantes. Pequena, portanto, e sem muito a visitar, embora tenha 19 universidades não fiquei impressionada com a arquitectura da cidade. Nessa noite saímos cedo para jantar e acabámos a noite no buddha bar, onde havia uma imitação dançarina do Michael Jackson e polacas lascivas a dançar de forma estranha, o que provocou largas horas de riso, bem regadas de vodka polaca. No dia a seguir o despertar foi custoso mas sem ressaca! Partimos cedo, mais duas horas de autocarro para o o objectivo da nossa viagem, e um dia de trabalho a correr de um lado para o outro, despejar caracteres entre abelhas e moscas, escrever no autocarro problemas em ligar a internet e finalmente respirar de alívio por tudo estar pronto. Pelo caminho ainda trocámos mais uma vez de hotel, jantámos e passámos, alguns, o resto da noite no lounge do hotel a conversar sobre tudo e nada à volta de champanhe, até que restámos apenas três a falar de música, de cinema e de outras trivialidades. 

Cama tarde, acordar cedo, aeroporto. Cinco horas de escala em Munique? Hum... acho que não! E resolvemos ir até à cidade, mesmo que durante apenas duas horas. Edifícios lindos, praças monumentais, mercados típicos, ondas de gente por todo o lado e bancas de fruta na rua. Comi framboesas, grandes e doces. Apanhei sol, tirei fotografias. Voltámos cansados mas contentes. Mais três horas de avião e cheguei, finalmente, a casa, com risos e novas pessoas na memória, doze horas depois de ter saído do local de origem. 


*há uma vibração estranha em andar de comboio na Polónia. A carga emotiva é demasiado pesada e foi inevitável lembrar-me de todos os filmes "da guerra" que vi. Os polacos ainda falam com estranheza dos anos do nazismo e carregam no país, e nas linhas de comboio, a história do Holocausto. Andei nesses carris, talvez não exactamente os mesmos, mas parecidos, avermelhados. As placas das cidades passavam por mim e eu não sabia exactamente para onde ia, estava muito longe de casa, sentia-me pesada e estranha. O efeito psicológico das imagens que associamos aos lugares pesa muito. Sentia-me vagamente enjoada enquanto o comboio deslizava, vagaroso e barulhento, pelos carris vermelhos. A Polónia tem um passado. Pesado. Demasiado pesado para ser indiferente.

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

em trânsito

Depois de um fim de semana bem cheio em Vila Nova de Milfontes [onde não faltaram muitos copos e gente bêbeda, praia, fotografias Rebelde Way e patas de veado à mistura... e que será contado quando tiver mais tempo, provavelmente amanhã, porque durmo pouco em quartos de hotel] estou de partida, em trabalho, para a Polónia. Volto sexta-feira, para partir no dia seguinte até ao Seixal, onde me espera a festa do Avante. Estou "em trânsito", como se dizia no meu antigo pasquim.