quarta-feira, 30 de Abril de 2008

vontade [três]

e saudades.

segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Parabéns

Toma lá que eu sei que gostas. Ao som das Valquírias.

Enjoy!
Dois dias quentes de praia é um bom aquecimento para o Verão. Patusquices à parte.

Apetece-me [dois]

domingo, 27 de Abril de 2008

Estranha manifestação de amor [cinco]

Direitos reservados


Ainda não me esgotei, ainda aqui estou, ainda não saí de ti, estou aqui, agora, com uma persistência velhaca, a contar-te histórias muito antigas como aquela que quase aposto já não te recordas. A história da menina que pensava não saber amar, pois lhe tinham dito, na sua tenra idade, que o amor é coisa de graúdos, de idade adulta, a que nunca chegaria com o seu olhar infantil. O mesmo olhar, que tratou com cuidado as pequenas coisas a que se foi dedicando na esperança de que um destes dias o amor lhe aparecesse. E o amor não vinha nem dava sinais, porque já lá estava. Porque o amor não aparece, nasce, da mesma forma que não morre, mas se esgota. E então um dia percebeu que o amor era aquilo, uma coisa muito simples, nada complicada, uma desilusão até, com tudo aquilo que lhe haviam dito. E então, percebeu logo ali, que sempre tinha amado embora não soubesse. E que sempre tinha sido muito feliz embora não gozasse a plenitude dessa felicidade porque pensava que havia uma outra , outra versão da mesma coisa. E que sim, sempre fora realizada, embora julgasse que essa realização só seria absoluta com a existência desse amor que não vinha. E o amor, de facto, nunca veio, porque já tinha nascido, com ela, sem que no entanto desse conta .
"No dia em que fugimos tu não estavas em casa", Fernando Alvim

sábado, 26 de Abril de 2008

The Bucket List

Direitos reservados

Ou na versão portuguesa "Nunca é tarde demais", junta Jack Nicholson e Morgan Freeman no mesmo filme, acrescenta um óptimo argumento e uma pitada de excelente fotografia. O filme conta a história de dois homens que se não têm nada em comum e se conhecem no mesmo quarto de hospital. Têm menos de um ano de vida. E fazer uma lista de coisas a fazer antes de morrer, desde um salto de páraquedas e visitar as pirâmides. Quando já não há esperança, procura-se a melhor forma para aproveitar os poucos minutos. E cada um deles, à sua maneira, reencontra-se. 

Depois do filme fiquei com vontade de abraçar com muita força todas as pessoas de quem gosto.

[acrescente-se que foi o terminar perfeito para um excelente dia de praia... assim se aproveita o feriado da liberdade]

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

A minha primeira vez...

E soube tão bem...
Passei uma noite a ouvir músicas antigas, a experimentar músicas novas e a recordar entre gargalhadas histórias a elas associadas. Passei a noite a falar de tudo e de nada com uma cerveja à frente, numa casa onde não ia há meses mas que será sempre como se fosse minha. Só eu e ele. Foi muitas vezes assim. Não precisamos de muito para nos divertirmos e compreendermos. E, nas minhas melhores histórias, ele está lá. As melhores noites são muitas vezes as mais inesperadas. 

terça-feira, 22 de Abril de 2008

Caos

Direitos Reservados
E eu fico a olhar para ele.
Ando com falta de ver Anatomias, descontraidamente no sofá, rir-me com os paralelismos, sem pressas ou horários a cumprir. Apetecem-me os dias compridos e os minutos que não acabam. Quero tempo.

segunda-feira, 21 de Abril de 2008

breve lição de mitologia

Minotauro | na mitologia grega, era meio homem e meio touro. Morava no Labirinto, construído por Dédalo a pedido do rei de Creta. O Minotauro terá sido morto por Teseu. Tem sido considerado um símbolo da fatalidade que conduz a vida humana.

domingo, 20 de Abril de 2008

A pensar no 25 de Abril

direitos reservados

e porque não é só no largo do Carmo que se faz a festa [embora a oferta do largo do Carmo seja simpática, com o já tradicional Arraial do 25 de Abril], o CCB está a organizar um concerto, um suposto "olhar de gerações mais jovens" sobre Zeca Afonso.

20 canções para Zeca Afonso mistura guitarras, saxofone, piano, bateria e violino. Um medley de instrumentos para Grândola Vila Morena. O único senão é o preço... 18 euros, não acessível a bolsos menos abonados (como o meu).

De qualquer modo, fica o serviço público, e o blog a consultar aqui

sábado, 19 de Abril de 2008

Vontade [um]

o [des]acordo ortográfico

Com  eminente entrada em vigor do acordo ortográfico começa a notar-se alguma indignação. A minha, pelo menos. Sempre que orgulhei de praticamente não dar erros ortográficos. De dominar bem a língua e as palavras. Não acredito que escrever "fato", "úmido" ou "minissaia" possam enriquecer a língua portuguesa. É a estupidificação da sociedade. É ir pelo mais simples. É vergar conceitos antigos ao facilitismo da modernidade. Claro que acredito que é preciso evolução. Mas não para pior, e o acordo ortográfico apenas nos aproxima do português do Brasil. Porquê e porque não ao contrário? O J. respondeu-me: porque eles são mais.

Mas a língua portuguesa nasceu do lado de cá do Atlântico.

A noite de ontem

fez-me lembrar Tavira.

sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Viena [em modo atrasado]





25 [dois]

Foi preciso chegar aos 25 anos para ter direito a um jantar surpresa, depois de ter organizado tantos, inesperado, num dia de chuva alerta laranja, depois de um dia de inesperado, de palhaçadas e passeio, de cafés, pessoas a chegar totalmente encharcadas, gargalhadas, bastante álcool no fiel sítio do costume que, curiosamente também fazia anos. Foi preciso chegar aos 25 anos para perceber que aniversários não é sinónimo de preocupação e que tenho comigo pessoas para vida. Que estão cá há 20 anos, há sete, há cinco ou há meses. Que hoje, eu, que sou muito difícil de contentar, me senti realmente feliz.
Obrigada.

quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Para matar um bocadinho a curiosidade...

na rua principal
vista da baía de Luanda
vista da baía de Luanda
Fortaleza

25

Digam o que disserem, já é um quarto de século.

Comecei o dia a bordo de um avião vindo de Luanda. Nem me lembrava. Algumas horas e escalas depois, aterrei em Lisboa. O meu dia só começa mesmo agora.

segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Vou ali e já volto


Até quinta!

domingo, 13 de Abril de 2008

"Bem vindos ao meu sonho"

Texto e foto roubados daqui

Que a noite de ontem no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, era especial para David Fonseca já se sabia. Mas mesmo tendo conhecimento da importância da estreia do músico português, a solo, na sala nobre da capital, é impossível conter o espanto perante o espectáculo que o cantor planeou, elaborou e protagonizou a rigor, ao longo de duas horas e meia. Desde o arranque com um quarteto de mariachis (ideia «importada» das viagens ao Texas, quiçá?) ao desfecho muito onírico, com o nosso herói a cantar deitado numa cama, numa cena que podia pertencer a um filme de Michel Gondry, o concerto de ontem foi dos espectáculos mais elaborados a passar pelos palcos nacionais nos últimos tempos. Sem o orçamento ou os meios das mega-estrelas estrangeiras, é certo, mas com um sem fim de ideias e uma impressionante vontade de celebrar o momento – que, é bom de ver, não podia ser mais risonho para David Fonseca.
O concerto começou com um dos muitos pequenos filmes – autobiográficos e bem-humorados – que ao longo da noite foram sendo projectados numa tela frente ao palco. Estas fitas mostravam David Fonseca a meditar sobre as suas motivações e serviram para dividir o espectáculo em vários «actos», como se de uma peça se tratasse. Depois de explicar que, muitas vezes, começa os seus projectos com a primeira coisa que lhe vem à cabeça, o leiriense fez entrar em palco quatro mariachis – um aperitivo inesperado, ao qual qual se seguiu o aparecimento da banda de David Fonseca – bateria, baixo, sintetizadores, piano e guitarra – para uma rendição absolutamente eufórica de «4th Chance», do mais recente Dreams In Colour .
No centro das atenções, David Fonseca, com o seu habitual visual de galã modesto, mostrava-se confiante e esfusiante, ou seja, à altura do que a ocasião exigia. A orientação mais extrovertida e arejada do seu terceiro disco a solo tem-lhe rendido os frutos mais apetecíveis e a forma enérgica e determinada com que atacou cada canção não deixa margem para dúvidas – em palco, esteve um homem feliz. Ao segundo tema, «Our Hearts Will Beat As One», o público do coliseu viu descer do tecto várias lanternas que se viriam a acender sobre as suas cabeças; em palco, David Fonseca muniu-se de semelhante aparelho para cantar uma versão de «Song To The Siren», de Tim Buckley, acompanhado apenas por uma guitarra eléctrica. O esforço em embrulhar de forma vistosa e memorável uma prenda já de si generosa era evidente, e conduziu a momentos de verdadeira euforia.
Em «Superstars II» ou «Silent Void», com David Fonseca a rodopiar numa plataforma giratória de megafone na mão e teclados ultra-new-wave por trás, o delírio do povo atingiu níveis inacreditáveis; só faltou mesmo o Presidente da República aparecer no camarote presidencial, no momento em que os focos de luz se dirigiram para o mais inalcançável dos lugares do coliseu. À indie power-pop que frequentes vezes faz pensar nos Killers, e à queda pelos épicos «evangélicos» à la Arcade Fire, David Fonseca contrapõe belos momentos inspirados no intimismo de songwriters como Ryan Adams; foi o caso de «Kiss Me, Oh Kiss Me», com o cantor sentado em cima do piano de Rita Pereira, «Someone Who Cannot Love», o seu primeiro single a solo, ou «Hold Still», um dueto com Rita (também) Redshoes, com os dois intérpretes de costas voltadas.
Mas serão os momentos cenicamente mais caprichados a sobreviver na memória dos espectadores desta noite – em «Raging Light», David Fonseca começou por se apresentar frente a uma tela negra, com os músicos «escondidos» lá atrás, para a meio da música o pano se erguer e revelar um palco substancialmente diferente daquilo que nos lembrávamos, onde os protagonistas pareciam ter-se multiplicado. Dançarinos em trajes menores pulavam em palco, sob várias bolas de espelho, num cenário quase disco onde nem uma «Madonna» versão «Hung Up» faltou. Igual entusiasmo causou «The 80’s», ensanduichado pela versão de «Video Killed The Radio Star», dos Buggles, e apresentando por uma rábula sobre agentes secretos, devidamente musicado pelo tema de James Bond. Aliás, a empatia que David Fonseca entabula com o público começa logo nas múltiplas referências não só musicais como televisivas às quais a geração que o ouve – grosso modo – adere sem reservas (Dartacão, Abelha Maia, etc).
O uso do kitch também serve de ingrediente a David Fonseca, que antes de recordar «Angel Song» dos Silence 4, para histeria generalizada, apresentou um medley de hits radiofónicos em modo sensível (a saber: «Wannabe» das Spice Girls, «Toxic» de Britney Spears, «Maneater» de Nelly Furtado, «Can't Get You Out of My Head» de Kylie Minogue e «Umbrella» de Rihanna, de longe a mais cantada pelo público). A vontade de celebrar estava, como seria de esperar numa sala esgotada, ao rubro de parte a parte, pelo que ao longo de todo o espectáculo o entusiasmo fez os fãs (inclusive os masculinos) gritar frases como «faz-me um filho!».
No último encore, David Fonseca ameaçou a despedida ao entrar em palco vestido de pijama, deitado numa cama a cantar «Dreams In Colour», enquanto das bancadas voavam bolas de sabão. Mas o cantor estava ainda bem desperto, como o provou o regresso, inesperado e surreal, de toda a banda ao palco, agora mascarada de: motoqueiro, imperador romano, mágico, pato e bávaro. «Bem-vindos ao meu sonho», proclamou David Fonseca, e esta tanto podia ser a apresentação da continuação do espectáculo, como uma descrição de toda a noite de ontem. Não sabemos se, quando começou a escrever canções, o português alguma vez imaginou que o coliseu se lhe renderia como ontem, numa apoteose de consagração. Mas há, sem dúvida, sonhos piores que este. Vestido de militar, o Comandante David Fonseca abandonou o palco do Coliseu depois de uma extática versão de «Together In Electric Dreams», «interceptada» por «A Little Respect» dos Silence 4, e de uma apropriada chuva de corações vermelhos, feitos de papel, na cabeça dos fãs enlevados
.

Um quarto de século daqui a uns dias e continuo a sentir-me como se tivesse 16 anos.

sexta-feira, 11 de Abril de 2008

2+6

Ontem, no incógnito

foi um 'happening' interessante.

Amanhã



quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Os festivais de Verão

O SBSR este ano é uma desilusão, depois do cartaz óptimo que teve o ano passado. O Alive consegue claramente ultrapassar o SBSR e até mesmo o Rock in Rio (embora o último dia me pareça simpático). Paredes de Coura não vou andar por cá mas estou tentada com o SW. Não tanto por causa do cartaz (embora Franz Ferdinand me pareça um óptimo motivo para ir) mas por causa do espírito...

SBSR
04 de Julho - Porto
Xutos & Pontapés C/ Orquestra do Hot Club, ZZ Top, Love and Rockets, David Fonseca, Crowded House, Pete Tha Zouk

05 de Julho - Porto
Jamiroquai, Paolo Nutini, Morcheeba, Jorge Palma, Clã, Brand New Heavies, Sexy Sound System

09 de Julho - Lisboa
Iron Maiden, Slayer, Avenged Sevenfold, Rose Tattoo, Lauren Harris, Tara Perdida

10 de Julho - Lisboa
DJ Tiesto, Digitalism, Beck, Mika, Duran Duran, Mesa c/ Rui Reininho

Alive!
10 de Julho
Rage Against the Machine, Gogol Bordello, Cansei de Ser Sexy , The National , Spiritualized, MGMT, DJ Tiga

11 de Julho
Within Temptation, Chris Cornell, Bob Dylan, The John Butler Trio, Nouvelle Vague, Uffie and Feadz + vários DJ

12 de Julho
Ben Harper, Donavon Frankenreiter, Neil Young, Gossip, Róisín Murphy

RIR

30 de Maio
Lenny Kravitz, Amy Winehouse, Ivete Sangalo, James Morrison, Paul Van Dyk

31 de Maio
Bon Jovi, Alejandro Sanz, Alanis Morissette, Skank, Carl Cox

1 de Junho
Rod Stewart, Joss Stone,Tokio Hotel, Xutos & Pontapés c/ Rock'n'Roll Big
5 de Junho
Metallica, Machine Head, Apocalyptica, Moonspell, 2 Many DJ's

6 de Junho
Linkin Park, Kaiser Chiefs, The Offspring, Orishas, Muse, DJ Vibe, Shasha & Digweed, Tó Ricciardi, Stereo Addiction, Clã e Convidados, Buraka Som Sistema c/ Deize Tigrona e Bruno M


SW, para já, Bjork e Franz Ferdinand
Marés Vivas, James

ai... a minha carteira...

O que diz o mapa astral

cortesia da S. [demasiado longo para postar]

pessoal
amor

terça-feira, 8 de Abril de 2008

Este mês, no Incógnito

Duas boas noites de música alternativa no sítio perfeito para ouvir música alternativa. Sexta feira 11, não conheço o DJ, mas a vertente retro parece-me bem. Sábado, 12, tenho alguma curiosidade em ver como o Nuno Galopim* transmite o programa para um pseudo set ao vivo. E na sexta-feira seguinte, dia 18, um grande bem haja ao Mr. Mitsuhirato, um dos melhores DJs de música alternativa [dos Smiths aos Interpol revisitando dezenas de clássicos e passando muita coisa nova] que já ouvi.

*Quando o Nuno foi uma vez à minha faculdade dar uma aula [estrábico de tal modo que fiquei com o braço levantado até perceber que ele estava a olhar para mim] perguntei-lhe como é que alguém se torna crítico de música. Na altura eu era uma espécie de crítica de cinema. Respondeu-me vagamente, que não há um curso, que é preciso ouvir muito, que o ouvido treina-se, é preciso ser-se autodidacta. Concordo com o senhor, claro. Mas não consigo deixar de pensar que, para a música, tem de haver uma predesposição para querer ouvir, gostar, avaliar, conhecer, explorar. Como no cinema. Apanhar xaropadas e óptimas surpresas. Saber retirar alguma coisa de cada música que se ouve e filme que se vê. Acho os críticos presunçosos. Sobretudo os de cinema. Só dão boas notas aos filmes pseudo alternativos muito à frente que ninguém vai gostar. E não percebem que a comédia romântica toca mais as pessoas. Digo eu, que estou desligada do cinema desde que comecei a trabalhar, por  falta de tempo, e já fui a mais concertos que filmes este ano.

Sei de alguém que vai gostar muito disto:

Festa grunge Long Live Kurt

24 de Abril, no Santiago Alquimista.

Enjoy!
De 24 de Abril a 4 de Maio, este ano com uma novidade: o IndieMusic, uma dezena de filmes, quase todos documentários, sobre, por exemplo, Joy Division, Patti Smith e The Clash.

Sessão de abertura e encerramento são sempre imperdíveis - este ano a abrir é Wong Kar Wai - e vou passar para ver alguns da competição internacional. O Indie vale sempre a pena, para o bem e para o mal. Já lá vai o tempo em que três pessoas do C7 conseguiam ver todos os filmes do festival. Há dois anos, o cartaz cresceu para mais de 200 fitas. Impossível. E entretanto o site está parado por tempo indefinido. Já não tenho a "obrigação" de ir ao Indie, de acreditação ao pescoço, ver três sessões seguidas, mas ficou-me o gosto.

Vemo-nos por lá.
Gosto das pequenas coisas que parece que não têm importância nenhuma. Gosto de pensamentos repetidos e de palavras ditas ao mesmo tempo. De gargalhadas. De parvoíces. De praia e de sal, de pensar em andar de patins, de planear viagens, de ver concertos. Gosto, sobretudo, da descontracção dos dias e dos momentos, da naturalidade das coisas e de alguma estupidez natural à mistura.

Quero



Azul cueca, do modelo original, para levar dentro da carrinha pão de forma da WV.

segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Sem palavras

Fotografia de Paula Nunes

domingo, 6 de Abril de 2008

Detesto

O Cristiano Ronaldo. A figura, dos brincos aos músculos, irrita-me seriamente. Até porque não gosto normalmente de pessoas que se acham o máximo. Não é que conheça pessoalmente o Cristiano, que se calhar até é boa pessoa, mas a imagem que aparenta da-me vontade de bomitar menelhos de cavelo.

Mas detesto ainda mais o Cristiano Ronaldo em anúncios. As campanhas do BES são muito, muito tristes. O CR devia limitar-se a jogar à bola, que é o que ele faz realmente bem.
Se te disser sempre o que penso, vais continuar a ouvir o que digo?

Estranha manifestação de amor [quatro]

Direitos Reservados

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
"Elogio do Amor", Miguel Esteves Cardoso
Ficar a viver na curva do pescoço.
Há muito caminho pela frente, como se fosse uma estrada vazia. Mas mesmo que a estrada pareça fácil, quando menos se espera há obstáculos. Há quem diga que são lombas. Que nos obrigam a abrandar. Talvez seja bom, para que não se tome tudo como garantido. Às vezes é melhor que custe para se ter a certeza que se vive. E que se quer. E que se continua por vontade e não por acomodação. Podemos ir a diferentes velocidades, conforme a estrada permita. Às vezes vamos a 120, outras vamos a 60. Demoramos mais, ou menos. Às vezes, algumas, vamos a velocidades diferentes. Mais depressa ou devagar, não interessa muito. O que interessa é que um dia vamos chegar lá. Seja o lá onde for.

Uma música de Editors

Diziam-me ontem que sou uma música de Editors. Porque tenho tendência para, às vezes, ser melodramática. Achei piada. Há cinco anos atrás era dez vezes pior. O meu lado dramático tem-se vindo a esbater. Acho que é porque já tenho chatices reais suficientes para arranjar chatices inventadas. Mas a minha capacidade de fazer filmes onde não há razão para isso leva-me a soltar a veia de rainha do drama. Também se pode dizer que sou uma cineasta dramática, mas aí já não seria uma música de Editors. E por causa do melodrama (ou da falta dele, depende dos dias) a minha banda sonora para hoje é esta:
When Anger Shows
It creeps all over you like a dull ache Think of all the things your hands could make It pulls you to the ground like soaking wet gloves The change in your face when anger shows In that moment you realise That something you thought would always be there will die Like everything else These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok You are a sleeping lion in your bed I will not wake you You're the moment Love has passed We all must learn to hate you You're a memory from before Please don't let me forget you You're the wolves at my door In that moment you realise That something you thought would always be there will die Like everything else These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok How can you know what things are worth If your hands wont move to do a days work? How can you know... These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok These thoughts I must not think of Dreams I cant make sense of I need you to tell me its ok.

Fim de semana

Sábado previa-se um dia na praia. Amanheceu cinzento e meio chuvoso. Com contornos estranhos. Como se estivesse desconfortável em casa e lá fora não estivesse melhor. Alternativa? Festa do Fiat 500 e MTV no Bairro Alto, antecedida por uma cerveja no Carmo. Eram só sete da tarde e as ruas já estavam cheias de gente, copo de plástico na mão, equilibrista e dançarinos, colunas enormes a vomitar electrónica nada má. Não ficámos muito tempo, mas ainda tivemos tempo de espreitar as Lomos e os ténis. Semana pesada atrás de semana pesada pediam um programa mais caseiro. Party & Co. (o novo) e filmes. 

Domingo previa-se um dia em casa. Acordei cedo, mais cedo do que normalmente. 11.30 estava a pé, quando ao domingo só saio da cama às  da tarde. E ainda bem. Lá fora, um céu meio nublado mas com um sol convidativo. E um calor nada de desperdiçar. Conclusão: praia. Três horinhas, não mais. Sozinha. Tempo suficiente para me bronzear um bocadinho, descansar, ouvir música, organizar a minha semana e combinar coisas por sms. Não me importo de ir à praia sozinha. Claro que prefiro ir com companhia, mas não deixo de ir se não a tiver. Fiz disso um momento de instrospecção. E resultou. Nunca nada parece tão dramático, ou melodramático, ou grave, ou triste, ou até feliz, depois de se dormir sobre o assunto.

quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Repetição de Editors

foi no Campo Pequeno. Menos intimista que o primeiro concerto, mas com a mesma energia e adrenalina que o concerto no Belenenses. Os Editors tiveram uma actuação curta, de apenas hora e meia, mas que deixou o público rendido à energia e qualidade dos músicos. Um cover de Lullaby, dos Cure, Racing Rats com menos força que no Belenenses e, a fechar, um fabuloso Smokers Outside Hospital Doors. Os Editors são animais de palco. Valeu a pena vê-los pela segunda vez, como valerá vê-los uma terceira.