quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Alta Fidelidade*

Já não existe, pelo menos em Portugal, aquela figura do Dono da Loja de Discos, que recomendava os melhores CD's e olhava com ar reprovador quando escolhiamos algum álbum mais mainstream ou de qualidade questionável. Uma figura que se podia enquadrar em qualquer uma das três personagens do filme Alta Fidelidade (um dos meus preferidos de sempre), que era de certa forma temido e de certa forma odiado mas sempre respeitado. Era a entidade máxima do saber musical, com o conhecimento de todos os clássicos e sempre a liderar as novas tendências. E quando comprávamos alguma coisa que levava o Dono da Loja de Discos a ter um ligeiro esgar de aprovação ganhávamos o dia.
A figura do Dono da Loja de Discos foi substituído pelo Gajo do Blog de Música, que não se conhece de lado nenhum mas com quem até se concorda, pela Lastfm, pelo myspace e, no meu caso, pela indie-rock playlist mensal. Mas perde-se aquela mística, aquele respeito e o desejar muito, um dia, saber pelo menos metade do que sabe o Dono da Loja de Discos.
* o Alta Fidelidade é um dos meus filmes de adolescência preferidos. Vi-o pela primeira vez com o J. e com um pacote de litro de gelado no colo e percebi facilmente porque é que também é um dos filmes preferidos dele. A forma como se lida com o desgosto amoroso (com a frase "What Ian guy???" a dominar) e se faz o Top5 de tudo e mais alguma coisa, tal como se faz o Top5 de músicas e álbuns para todas as ocasiões, foi suficiente para, a partir daí, também eu começar a fazer as minhas listas e os meus tops. Tal como este blog testemunha a cada final de ano.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

sábado

Eu, que raramente vou ao Lux, de vez em quando cedo à pressão e enfrento a fila, os 12 euros e a música intragável e acabo por ir lá parar, o que me serve para me lembrar porque é que só lá vou de seis em seis meses. O Lux ao Sábado faz-me lembrar a Kapital há uns anos atrás: muita gente do social, a mostrar-se, fogueira das vaidades, sem ninguém a dançar. E eu já não tenho paciência. Talvez tenha apanhado sempre noites menos boas, talvez, como me diz muitas vezes o J., tenha de lá deixar de ir ao sábado e passar a ir à quinta ou à sexta-feira. A verdade é que, no Lux, o conceito de diversão é relativo. Eu, que estou habituada ao Tóquio, ao Incógnito, ao Jamaica, pareço um peixinho fora de água no meio da música da bolhinha.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

ontem

que fiquei em casa depois de jantar, senti-me pela primeira vez realmente a morar sozinha.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

agenda

além dos concertos [grandes] já previstos e com bilhete comprado - Muse, Franz Ferdinand, Editors e Arctic Monkeys - ainda vou apontar agulhas a Dead Combo no S. Luiz e a Six Organs of Admittance, no Nimas. A rentrée começa bem.

domingo, 1 de Novembro de 2009

já está

amanhã regresso ao pasquim. A mudança está feita, já tenho televisão, TV Cabo e internet móvel. Faltam pequenas coisas, como levar o computador ou a máquina fotográfica. E no meio da mudança só hoje me consegui sentar ao piano a experimentar a Polonez, de Bach. O teclado continua em casa dos meus pais, embora já tenha sítio reservado na minha pequena casa. É que é tão pesado que não me aventuro a levá-lo sozinha!

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

leituras

Nas férias consegui ler "A Casa da Rússica", de le Carré; "O Jogador" de Dostoievsky [que me valeu uma tarde inteira a ser chamada de geek, nerd, pseudo-intelectual e outras alcunhas simpáticas] e comecei "As Vinhas da Ira", de Steinbeck.

Desde que cheguei ainda não consegui pegar num livro.

procuram-se sugestões

para o tópico do Em Repeat ali ao lado. Ando satisfeita com os meus antigos e a negligenciar a música nova. Ando a ouvir Emiliana Torrini com o seu "Me and Armini", e St. Vicent, mas não é bem isto que me apetece... Aceitam-se ideias!
a mudança está quase pronta, à custa de muitas malas e muitos sacos cheios de tralha. Já cozinhei para amigos e tive a casa cheia de gente. Para segundo plano está a ficar o piano e hoje senti os dedos enferrujados a procurar as teclas que há três semanas já martelava com confiança. A mão esquerda, surpreendentemente para uma canhota, é mais preguiçosa que a direita. Mozart continua a sair-me bem, agora aumentamos a dificuldade e passamos para Bach... disciplina e treino, é o que é preciso!

então e as férias?









Entre o corropio da mudança, levar roupa para a casa nova, debater-me com a TV Cabo que não funciona e visitar vezes sem conta o Ikea, ainda não tive tempo ou vontade de falar das minhas férias. Porque falar delas, contá-las, significa que acabaram, e eu queria prolongar a sensação o mais possível.

A Tailândia é um país de contrastes. Bangkok é uma cidade imensa, suja, poluída, a fervilhar de vida, de mercados de rua, de carros, de tuk-tuks, de templos budistas e arranha céus. Passámos lá um dia a mais do que devíamos, o suficiente para virmos embora mais do que satisfeitos. Bangkok vale a pena para as compras - claro que gastei a maior parte do dinheiro em ténis - e para sentir o fervilhar da cidade. Mas o melhor é quando se parte em direcção às praias paradisíacas do sul...

Phuket, mais especificamente Surin Beach, onde ficámos, é uma ilha de extremos. A nossa praia sossegada (privada do hotel mas bem pertinho da praia dos restantes hotéis e dos nativos) tinha ondas ligeiras, o suficiente para fazermos uma espécie de bodyboard e para passarmos o dia dentro de água a saltar as ondas. Ao final do dia passávamos as rochas para o melhor bar de praia de sempre, na praia ao lado: sobre as rochas, uma pequena construção em madeira com um empregado castiço e simpático que arranhava um inglês horrivel mas sabia as letras todas de jack johnson e de bob marley e que nos ia buscar tudo, até comida. Esperámos todos os dias por uma lontra que não veio e tentámos ver um pôr do sol atrás das nuvens. Compensava os 150 degraus que subiamos todos os dias até ao quarto. E contrastava com Patong Beach, onde só fomos uma noite, e onde nos desorientámos e rimos no meio de tantos bares, engates, barulho, turismo sexual e australianos de sessenta anos com namoradas tailandesas de 16.

Dispensámos um dia de praia para ver e alimentar macacos que roubavam a comida e trepavam pelos turistas acima, fazer rafting, andar de elefante (são peludos mas é giro ir em cima da cabeça com os pés descalços atrás das orelhas) e andar de motoquatro (ou, no meu caso, tentar).

A uma hora de barco de distância está o melhor de todos os sítios que já visitei: as ilhas Phi Phi. Do hotel à água transparente do mar, tudo era perfeito. O nosso quarto era uma cabana com uma espécie de terraço onde nos deitávamos ao final do dia, combatendo os mosquitos. A praia de areia fina e o facto de não haver estradas e só podermos andar de barco tornava a mística ainda maior. Um dia inteiro de lancha, a fazer snorkling que incluiu tubarões bébés, nadar em pedaços de mar escondidos no meio de montanhas, visitar a praia do "The Beach" e tomar banho na praia selvagem mais bonita e limpa onde já estive. Cocktails a meio da tarde durante horas. Longas conversas em inglês com amigos feitos na altura para desenferrujar. Um passeio nocturno num táxi-barco que não era mais que uma barcaça para jantar na vila mais próxima.

O saldo da viagem? Uma mala cheia de compras, a máquina cheia de fotografias, o corpo moreno e a cabeça cheia de boas recordações e bons momentos. E uma imensa vontade de voltar. O paraíso deve ser muito parecido com isto...

domingo, 11 de Outubro de 2009

malas feitas

prontíssima para seguir viagem... até daqui a duas semanas...