Já não existe, pelo menos em Portugal, aquela figura do Dono da Loja de Discos, que recomendava os melhores CD's e olhava com ar reprovador quando escolhiamos algum álbum mais mainstream ou de qualidade questionável. Uma figura que se podia enquadrar em qualquer uma das três personagens do filme Alta Fidelidade (um dos meus preferidos de sempre), que era de certa forma temido e de certa forma odiado mas sempre respeitado. Era a entidade máxima do saber musical, com o conhecimento de todos os clássicos e sempre a liderar as novas tendências. E quando comprávamos alguma coisa que levava o Dono da Loja de Discos a ter um ligeiro esgar de aprovação ganhávamos o dia.
A figura do Dono da Loja de Discos foi substituído pelo Gajo do Blog de Música, que não se conhece de lado nenhum mas com quem até se concorda, pela Lastfm, pelo myspace e, no meu caso, pela indie-rock playlist mensal. Mas perde-se aquela mística, aquele respeito e o desejar muito, um dia, saber pelo menos metade do que sabe o Dono da Loja de Discos.
* o Alta Fidelidade é um dos meus filmes de adolescência preferidos. Vi-o pela primeira vez com o J. e com um pacote de litro de gelado no colo e percebi facilmente porque é que também é um dos filmes preferidos dele. A forma como se lida com o desgosto amoroso (com a frase "What Ian guy???" a dominar) e se faz o Top5 de tudo e mais alguma coisa, tal como se faz o Top5 de músicas e álbuns para todas as ocasiões, foi suficiente para, a partir daí, também eu começar a fazer as minhas listas e os meus tops. Tal como este blog testemunha a cada final de ano.